Isabela Fenix

Belo desastre

Me forço ao gosto, mas o paladar recusa.

Me obrigo ao sim, mas o corpo não aceita.

 

Queria o amor, mas herdei o \"não\".

Que belo fim, que belo desastre.

 

É você de novo?

Por que insiste no que já ruiu?

 

(Oi, sou eu aqui. De novo.)

 

Talvez sejamos assim: dois no quase.

Nunca meu, sempre meio.

 

Gosto da dor, ela me dita os versos.

É o conforto mórbido de sentir o vazio por inteiro.

 

Mas viver de lamento te escava.

Te deixa oco.

Oco.

 

Tem alguém aí?

Às vezes, o eco me diz que sim.