Brendon Leão

SONETO DE MARÇO

Março desce em véus de luz indefinida,

Brisa tênue a tocar meu despertar;

No chão descalço escuto a voz da vida

Que pulsa em mim sem nunca se explicar.

 

Sou sombra e sol na mesma despedida,

Incenso azul do tempo a evaporar;

Aniversário é névoa pressentida,

Um sino mudo a lento ressoar.

 

A natureza ora em silêncio puro,

E eu, feito musgo ao colo do momento,

Agradeço o mistério claro e escuro.

 

Ser é flutuar no etéreo do presente,

Leve raiz no úmido do tempo,

Corpo na terra, alma transparente.