Março desce em véus de luz indefinida,
Brisa tênue a tocar meu despertar;
No chão descalço escuto a voz da vida
Que pulsa em mim sem nunca se explicar.
Sou sombra e sol na mesma despedida,
Incenso azul do tempo a evaporar;
Aniversário é névoa pressentida,
Um sino mudo a lento ressoar.
A natureza ora em silêncio puro,
E eu, feito musgo ao colo do momento,
Agradeço o mistério claro e escuro.
Ser é flutuar no etéreo do presente,
Leve raiz no úmido do tempo,
Corpo na terra, alma transparente.