O universo continua a escrever-se
Mesmo quando ninguém lê.
Cada galáxia é um parágrafo em fuga,
Cada silêncio, uma vírgula eterna.
A lua ensaia metáforas de ausência,
As estrelas piscam segredos antigos,
Como quem lembra ao tempo
Que ele também envelhece.
Planetas giram em busca de sentido,
Nômades presos à própria órbita,
Explodem não por caos,
Mas por excesso de existir.
E eu, pequeno verso errante,
Atravessei o cosmos sem mapa,
Descobrindo que a odisseia maior
É caber, por instantes,
Nas entrelinhas do infinito.