Adalcisio Rosario

O Girassol Alheio

  Em vinte e dois anos, o peito parou duas vezes,e na segunda, escolhi de novo te amar.

Fui o porto seguro nas tuas escasseies, o homem que o teu brilho fez regenerar.

Mas o mundo é injusto e o amor não é tudo,não quero ser egoísta para te provar valor.

Prefiro o meu luto, honesto e mudo, do que usar outra vida para curar minha dor.

Fui cego ao cuidar de uma flor num vaso alheio, regando com zelo o que outro colheu.

Talvez fosse estranho esse meu anseio,de amar um jardim que nunca foi meu.

Vai, meu girassol, leva o amor, não o rancor, mantém a tua cor e as sementes que tens.

Cuida de quem te cuida com o mesmo fervor,longe dos espinhos que no caule susténs.

Foste a minha flor, o meu maior enredo,hoje és tatuagem que em mim não tem medo.