Em vinte e dois anos, o peito parou duas vezes,e na segunda, escolhi de novo te amar.
Fui o porto seguro nas tuas escasseies, o homem que o teu brilho fez regenerar.
Mas o mundo é injusto e o amor não é tudo,não quero ser egoísta para te provar valor.
Prefiro o meu luto, honesto e mudo, do que usar outra vida para curar minha dor.
Fui cego ao cuidar de uma flor num vaso alheio, regando com zelo o que outro colheu.
Talvez fosse estranho esse meu anseio,de amar um jardim que nunca foi meu.
Vai, meu girassol, leva o amor, não o rancor, mantém a tua cor e as sementes que tens.
Cuida de quem te cuida com o mesmo fervor,longe dos espinhos que no caule susténs.
Foste a minha flor, o meu maior enredo,hoje és tatuagem que em mim não tem medo.