Hoje acordei com um silêncio estranho no peito,
como se o mundo tivesse despertado antes de mim.
Abri os olhos, mas não havia luz suficiente por dentro.
Era como se eu quisesse apenas dissolver-me no vento,
ser bruma na manhã,
ser ausência na paisagem,
ser um suspiro que ninguém percebe quando passa.
Hoje acordei com a vontade de não ocupar espaço,
de não fazer barulho,
de não existir além do próprio pensamento.
Mas ainda assim, acordei.
E às vezes, mesmo quando a alma pesa,
o simples fato de abrir os olhos
já é um ato silencioso de resistência.