Eu queria voltar ao passado para conceder os abraços que ficaram perdidos num soluço de vaidade. Dizer \"amo-te\" sem medo de risadas levianas, simplesmente por nascer no coração.
Desejaria recomeçar belos momentos a fim de permitir que lágrimas de alegria escorressem pelos meus olhos sem que eu tivesse receio do que os outros poderiam pensar.
Ambicionaria regressar ao passado para silenciar a voz com um beijo ou apenas deixar a ansiedade e o desejo ardente falarem por mim. Um doce anseio de que o silêncio de um momento alegre se eternizasse no brilho do olhar de alguém.
Cobiçaria retornar ao passado só para sentir mais forte a respiração num instante sublime, em que reina a suavidade, a delicadeza, a concordância do tempo em enfeitar termos que insistem em permanecer presos na garganta teimosa que tem medo de não sei o quê, por desconhecer o que poderá acontecer.
Aliás, estranho querer estar presente em cada toque, em cada olhar, em cada gesto de uma paixão ou de um amor, seja este amigo, romântico ou materno. O que importa?
Eu só queria poder saber por que temos tanto medo de sofrer, se a vida nos proporciona infinitas oportunidades de felicidade. O sol, o mar, as estrelas, o céu. Bem, talvez pelo fato de nossos medos surgirem muitas vezes daquilo que não conhecemos ou não queremos aceitar por não ser agradável às nossas expectativas. Egoístas? Sim, somos! Sabemos que o mundo dá muitas voltas; entretanto, desejamos profundamente que ele gire em torno de nós... apenas!
Ah, como eu queria não ser notado por essa gente que passa e sequer sabe que passou. Dessa gente que sofre por ter medo de sofrer. Dessa gente que briga, dessa gente que brilha e deixa que seu brilho se perca na escuridão de seus pensamentos egocêntricos, muitas vezes ostentando – para humilhar – uma carteira ou um pedaço de papel. Dessas pessoas que carregam na pele as marcas da experiência e pensam que o mundo findou.
Por outro lado, queria um pouquinho dos meninos-senhores que sabem a hora de sorrir, entendem o amor, a vida e a paixão. Queria um pouco da calma de quem guarda experiência em décadas de alegrias e, sim, o aprendizado de momentos difíceis. Queria o colo materno, lar mais seguro e aconchegante que possa existir, diversas vezes ao segundo. Queria a luz do sorriso sincero de um bebê que amolece qualquer coração pétreo.
Queria a esperança num mundo mais justo contida nos que foram desprezados por seus filhos e um espelho que refletisse a alma destes. Queria mãos dadas na praia dos 14 aos 80 na mesma intensidade e com a mesma inocência.
Queria que todos brindassem à vida todos os dias e comemorassem cada dia como se fosse 25 de dezembro. Queria ofertar paz, amor e saúde para todos os povos, nem que fosse apenas 364 vezes ao ano. Queria o gosto de um beijo apaixonado a cada fração de minuto e ouvir \"sinto a sua falta\" a todo instante.
E se me oferecessem o mundo aos pés em troca de tudo isso... desejaria que você respondesse por mim!