Eliete Souza

Sutileza de Está Só


O meu interior grita por socorro
enquanto minha face exala alegria.
Carrego no sorriso a leveza ensaiada,
mas é no silêncio que o peso se revela.
Deito-me
e me deleito na solidão que me abraça
e também me assola.
Ela me envolve como colo conhecido,
e ao mesmo tempo me atravessa
como vento frio em casa vazia.
Não vejo motivos para contentamento
e me recolho
à necessidade absurda
de não partilhar o vazio
que me assombra
desde a inocência perdida.
Guardo em mim o que transborda,
como quem protege o mundo
do próprio abismo.
Tenho sede de amar
e amo com verdade e pureza,
mas me entrego à certeza
de que o meu lugar
se encontra na sutileza
de estar só.