Daniel Victor

Entre o Medo e o SilĂȘncio

Eu disse que não me importava,

mas me importei.

 

Não com o passado,

não com sombras antigas,

mas com o espaço que eu achei

que ocupava.

 

Às vezes o coração inventa disputas

onde só existe silêncio.

E eu transformei silêncio em ameaça.

 

Eu quis parecer firme,

seguro, inabalável —

como se amar fosse um jogo

onde perde quem demonstra primeiro.

 

Você falou do que sente

como quem pede licença para existir,

e eu respondi

como quem teme ficar menor.

 

Mas no fundo

o que eu queria

era simples:

 

Ser escolha.

Ser prioridade

sem precisar disputar lugar.

 

Descobri que o medo não grita,

ele acusa.

Não pede colo,

ele se defende.

 

E eu me defendi

quando deveria ter escutado.

 

No fim,

não era sobre o que ficou para trás,

era sobre o que eu temia perder.

 

Talvez amar seja isso:

aprender a baixar a guarda

antes que o orgulho

nos faça lutar

contra quem só queria ficar.