Brendon Leão

ENTRE LENÇÓIS E PECADOS

Na penumbra quente, o mundo se apaga,
Dois corpos queimam, desejo que embriaga,
Mãos exploram, famintas, sem fim,
Cada toque é fogo, cada beijo é sim.

 

Os lençóis testemunham o fogo e a calma,
A paixão que queima e acalma a alma,
Sussurros de veludo, segredos sem medo,
No calor dos braços, o mundo é tão cedo.

 

O suor escorre, mistura de pele,
No vai e vem da carne, desejo que revele,
Línguas se encontram, febris, sem censura,
São homens, são homens, na mais pura loucura.

 

Gemidos cortam o silêncio da sala,
São notas de um rito, um prazer que não cala,
Lençóis despidos, cúmplices do ato,
Cada centímetro é um mapa, um contato.

 

Olhares vorazes, faíscas de guerra,
Enquanto o leito treme, o prazer os enterra,
Unha cravada, suspiro sem fim,
Dois mundos colidem, tão dentro de mim.

 

A respiração ofegante, o ritmo apressado,
Corpos molhados, num amor desarmado,
Pele com pele, o querer tão profundo,
Ali, naquele quarto, é o centro do mundo.

 

E quando a explosão toma forma e sentido,
No gozo, no grito, o prazer é vivido,
Dois homens rendidos, exaustos de amor,
Num abraço apertado, queimando o ardor.

 

Que venha o amanhã, que traga o que for,
Pois esta noite é eternamente calor,
Um segredo guardado, um prazer sem questão,
Dois homens na cama, perdidos de tesão.

 

Que o amor é coragem, desejo sem nome,
Na nudez sincera, é onde se some,
O peso das máscaras, o medo, a prisão,
Ali, entre eles, só resta a paixão.

 

E quando o amanhecer bater na janela,
Restarão vestígios de uma noite tão bela,
Dois homens deitados, sem culpa ou porquê,
Pois amar é viver; assim, como deve ser.