Luiza Castro

Hospedeira

Ela não tem amigos,
então falava sozinha.
No alto do seu abismo,
eu lhe fiz companhia.

Mas ela, tadinha,
queria tanto sair…
Eu dizia que era perigoso
deixá-la partir.

E, mesmo fraca,
ela tentou pular.
Mas eu a segurei —
precisava drenar.

Fiz da sua mente moradia,
enquanto ela ia esquecendo
que, aos poucos, a sua alegria
ia desaparecendo.