Ana julia Fernandes borba

Ver não previne as feridas

Em meu rosto

Arde:

Rastros das feridas,

Do desespero.

 

Então me diz:

Por que toda essa

Dor?

Sei a resposta:

Porque não há espaço

Para o amor.

 

Por que devo

Confiar na dor?

Se maldita é a culpa,

Que sua voz —

No silêncio —

Me deixou.

 

A chuva cai

Para cumprir

A punição.

Os olhos cegos...

É melhor para enxergar?

 

Se não vive,

Não sente

E não previne

A tempestade

Que irá chegar.