Estou trabalhando com os pensamentos,
talhando-os,
querendo vê-los brilhando,
alardeando no compasso de cada detalhe
que me exige destreza.
Trabalhar os pensamentos
é não se deixar atordoar
pelo barulho interno,
esse coro confuso
que grita sem apontar direção.
É escolher o silêncio necessário,
organizar o caos,
direcionar por onde se pode fazer trilha,
onde o chão aceita o passo
e o caminho se torna viável de perseguir.
Pensar é gesto paciente,
é mão que mede antes do corte,
é olho atento ao risco e à forma.
Não basta fazer —
é preciso pensar o fazer,
ouvir o tempo, respeitar o processo,
permitir que a ideia amadureça
antes de ganhar o mundo.
Porque pensamento bem trabalhado
não fere, constrói;
não dispersa, conduz;
não se perde —
encontra.