quis morar no começo das coisas,
no desejo que tive de te ter,
na certeza que eu tinha
de que nunca ia te perder,
no prazer da tua companhia.
às vezes eu pensava em fugir contigo,
te fazia poemas,
te dedicava canções,
te eternizava em arte
pra nunca te esquecer,
ou pra você
nunca me esquecer.
eu fugia dos fins.
abandono me assustava,
mesmo quando
eram calmos, resolvidos.
é um grito que morreu na minha garganta,
uma carta que nunca te escrevi,
uma playlist que fiz pra você
ficou sem nunca ser ouvida.
pra não encarar os fins
que me assustavam,
eu fugia.
eu fugia tanto
que
às vezes
fugi até
dos inícios e ainda fujo.