LidyaMorgan

Sorte

Sempre pensei ser condenada pela vida,

vendo tragédias em volta, ferida por cada partida,

coisas inexplicáveis, dores espalhadas no ar,

mas nunca parei para me perguntar:

por que nada disso vem me tocar?

Vejo horrores, destinos quebrados no chão,

ecos de perdas, gritos na escuridão,

mas eu apenas observo, em silêncio constante,

como se o caos passasse distante.

Nada de tão ruim me aconteceu,

o peso do mundo nunca me escolheu.

Talvez eu tenha sorte — pensei sem norte —

talvez a vida me guarde da própria morte.

Sigo meus instintos, caminhos perfeitos,

desvio de abismos, evito defeitos.

Nunca perdi nos jogos do acaso,

nunca tropecei no próprio passo.

Nas apostas da vida, vitória na mão,

nos julgamentos, firme decisão.

No fim, estou certa… quase sempre estou.

Mas será que é sorte que me guiou?

Coincidência? Destino traçado?

Ou um plano invisível já desenhado?

Uma incoincidência, razão escondida,

um equilíbrio secreto sustentando a vida?

Então percebo, com certo temor,

que meus problemas têm pouco valor.

Aquilo que chamo de dor, de tensão,

é privilégio em comparação.

Sorte é ter um problema pequeno

num mundo que desaba obsceno.

Entre colapsos, perdas e morte,

entre corpos marcados pela má sorte.

Isso, sim, é o peso real,

isso é o corte final.

Se eu tivesse encarado o verdadeiro sofrer,

talveSempre pensei ser condenada pela vida,

vendo tragédias em volta, ferida por cada partida,

coisas inexplicáveis, dores espalhadas no ar,

mas nunca parei para me perguntar:

por que nada disso vem me tocar?

Vejo horrores, destinos quebrados no chão,

ecos de perdas, gritos na escuridão,

mas eu apenas observo, em silêncio constante,

como se o caos passasse distante.

Nada de tão ruim me aconteceu,

o peso do mundo nunca me escolheu.

Talvez eu tenha sorte — pensei sem norte —

talvez a vida me guarde da própria morte.

Sigo meus instintos, caminhos perfeitos,

desvio de abismos, evito defeitos.

Nunca perdi nos jogos do acaso,

nunca tropecei no próprio passo.

Nas apostas da vida, vitória na mão,

nos julgamentos, firme decisão.

No fim, estou certa… quase sempre estou.

Mas será que é sorte que me guiou?

Coincidência? Destino traçado?

Ou um plano invisível já desenhado?

Uma incoincidência, razão escondida,

um equilíbrio secreto sustentando a vida?

Então percebo, com certo temor,

que meus problemas têm pouco valor.

Aquilo que chamo de dor, de tensão,

é privilégio em comparação.

Sorte é ter um problema pequeno

num mundo que desaba obsceno.

Entre colapsos, perdas e morte,

entre corpos marcados pela má sorte.

Isso, sim, é o peso real,

isso é o corte final.

Se eu tivesse encarado o verdadeiro sofrer,

talvez não estivesse aqui para escrever.