Eu cruzei oceanos de silêncio por você,
construí castelos de promessas no ar que você respirava.
Dei o meu melhor horário, o meu pior medo,
o último pedaço de mim que ainda batia inteiro.
Plantei flores no seu inverno,
reguei com lágrimas que você nunca viu cair.
Fui escada, fui ombro, fui noite em claro,
fui “tô aqui” quando você nem perguntou.
E você...
deixava migalhas na palma da minha mão aberta.
Um “obrigada” seco, um emoji frio,
um “talvez um dia” que nunca amanheceu.
Eu queria tanto que fosse você.
Queria que o olhar que eu guardava fosse o mesmo que me procurava.
Queria que o “eu te amo” que eu engolia voltasse como eco.
Mas entendi, devagar, como quem morre acordado:
você nunca quis que fosse eu.
Nunca quis o peso do meu tudo.
Só o leve da minha disponibilidade.
Então eu recolho as migalhas que sobraram,
guardo no bolso rasgado do peito,
e sigo.
Não por ódio.
Por cansaço de sangrar por quem só quer ver o vermelho.
Você ganhou o silêncio que eu tanto ofereci palavras.
Eu ganho a liberdade de não mendigar mais amor.
E se doer lembrar?
Que doa.
Pelo menos essa dor é minha.
Não dividida.
Não migalhada.
Inteira.
Como eu sempre fui pra você.