haidra

Solidão, um conhecido íntimo.

Quando nos afogamos lá dentro,

A água da alma escapa pelos olhos.

Tudo vira uma coibição de sentimentos,

E então morremos aos poucos.

 

Meu mar se torna violento,

Por isso é difícil não ralhar com os outros.

Me sinto mal por eles,

E em desforro, sinto um amargo desgosto pelos meus momentos.

 

É que a solidão não é mais visita,

Ela mora nessa casa.

Torna a vida vã, abstrusa, frívola.

Às vezes não se tem escolha à não ser sentar, com a água chegando às ancas rasas.

 

Alguma hora, só conseguimos refletir:

—Porque viver tudo isso? Não vale o esforço.

 

E a solidão não responde, porque ela nunca te prendeu alí,

Mas é que estamos cansados, embaciados e foscos.

 

Às vezes,

tudo que se pode fazer é sentar

e encarar o vazio dentro de si.