Tem pessoas que riem de você
Dos teus sentimentos, do que não se vê
Das tuas angústias guardadas no peito
Do teu sofrimento e da tua dor sem jeito
Eles ou não passaram por isso, eu penso
Ou fingem força num riso tenso
Ou usam máscaras com várias faces
E se escondem em meio às frágeis disfarces
Pessoas que não definem o que são
Por medo do olhar, do dedo, do julgamento, da exposição
Fogem da própria verdade refletida no espelho
E vivem de aplausos rasos e conselho velho
Mas que mesmo assim insistem em tirar sarro
De quem atravessou o próprio desamparo
De quem teve coragem de cair e levantar
De sentir cada dor sem se camuflar
Vocês riem do quê?
De mim? Do que eu escolhi ser?
Vocês não erram, né? São feitos de perfeição?
Não têm falhas, não têm dor no coração?
Vivem nessa falsa vida, ensaiada e sem cor
Sem verdade no peito, sem entrega, sem amor
Sem viver a intensidade que arde e consome
E tiram sarro de quem sente, de quem assume
Não é vergonhoso sentir e estremecer
Chorar escondido ou na frente de você
Ou até ter crises de ansiedade e depressão
É humano demais ter o peito na mão
Aí, em vez de rir de mim, de me diminuir
Por que vocês não tentam evoluir?
Por que não buscam ser seres humanos melhores
Em vez de espalhar palavras menores?
Se sentem superiores, acima da emoção
Mas não vejo grandeza na frieza do coração
Porque somente a inteligência, fria e sozinha
Sem empatia, amor e sensibilidade, é vazia
Isso não é superioridade, é solidão disfarçada
É mente brilhante com alma fechada
Alguém com o QI mais alto que o normal
Não se torna perfeito, nem imortal
Não sei se pode ser alguém bom de verdade
Se não cultiva respeito nem humanidade
Pois falta empatia no olhar e no jeito
E ainda julga a vida alheia sem direito
Não tem apreço pelas coisas bonitas do viver
E prefere se esconder, se endurecer
Se escondem atrás de outras vidas inventadas
De histórias rasas e falas ensaiadas
Uns não saem do armário por medo de existir
Outros carregam fardos que fingem não sentir
E vestem sorrisos como fantasia
Enquanto a alma implora por alegria
Posso não ser a melhor pessoa do mundo, eu sei
Erro muito… às vezes até mais do que imaginei
Caminho torto, tropeço demais
Mas não negocio meus sentimentos reais
Uma coisa que não faço é zombar da dor
Nem transformar lágrima alheia em favor
Não dou risada do que machuca o coração
Nem diminuo o sentimento ou a emoção
Tenho responsabilidade emocional, sim
E talvez por isso doa tanto em mim
Porque sentir profundo é também sofrer
Mas é a única forma honesta de viver.
E se isso me torna frágil aos seus olhos frios
Prefiro ser mar aberto a viver em rios vazios
Prefiro a tempestade que me faz transbordar
Do que a calmaria morta de não saber amar
Que riam… se isso lhes traz distração
Eu sigo inteira, com o peito na mão
Porque quem sente, sangra… mas floresce também
E quem foge da dor, não floresce ninguém.