Liquefação
No éter da alma, onde sombras dançam,
Liquefação, oh, sublime transmutação,
O sólido se desfaz, como areia ao vento,
E o líquido da essência, flui, lento.
Como o gelo que se derrete ao sol,
Assim se desmancha o coração, em dor,
E o que era forma, contorno e definição,
Se torna fluído, movimento, sem prisão.
No cadinho da alma, o fogo arde,
E o metal da experiência, se liquefaz,
Revelando a essência, pura e nua,
Como o ouro, que se refina, na crisol da lua.
Liquefação, oh, doce libertação,
Do peso da forma, da prisão da condição,
O ser se desfaz, em ondas de emoção,
E se torna, um rio, que flui, sem direção.
No oceano da alma, as gotas se unem,
E o líquido da vida, se torna, um,
Liquefação, oh, sublime união,
Do finito e do infinito, em perfeita comunhão.