Sinvaldo de Souza Gino

Liquefação

Liquefação 

 

No éter da alma, onde sombras dançam,

Liquefação, oh, sublime transmutação,

O sólido se desfaz, como areia ao vento,

E o líquido da essência, flui, lento.

 

Como o gelo que se derrete ao sol,

Assim se desmancha o coração, em dor,

E o que era forma, contorno e definição,

Se torna fluído, movimento, sem prisão.

 

No cadinho da alma, o fogo arde,

E o metal da experiência, se liquefaz,

Revelando a essência, pura e nua,

Como o ouro, que se refina, na crisol da lua.

 

Liquefação, oh, doce libertação,

Do peso da forma, da prisão da condição,

O ser se desfaz, em ondas de emoção,

E se torna, um rio, que flui, sem direção.

 

No oceano da alma, as gotas se unem,

E o líquido da vida, se torna, um,

Liquefação, oh, sublime união,

Do finito e do infinito, em perfeita comunhão.