Luana Santahelena

A Doce Loucura de Ser

Pra ser sincera,

não acho que eu seja louca.

O resto do mundo acha,

mas eu não — e isso já me faz sorrir

como quem descobre uma flor no meio da calçada.

 

Tenho um jeito doce de falar,

tão doce que talvez você morresse de diabetes

se sofresse desse mal e provasse meu papo de mel,

como se cada sílaba fosse caramelo derretendo

nos cantos do seu pensamento.

 

Mas não é o jeito doce,

nem o caminhar despreocupado,

nem o cabelo que insiste em desafiar pente e lógica

que me dá charme.

Meu charme é outro, mais secreto,

é essa impressão de loucura

que espalho sem querer,

como nuvem que se recusa a formar chuva,

como quem dança sozinha no corredor da vida.

 

No fundo, minha loucura é apenas felicidade:

a felicidade de me ver inteira,

mesmo que fragmentos de mim

pareçam quebrados para quem observa de fora.

É a alegria de perceber que o mundo

acha que eu estou perdida,

quando na verdade

eu já cheguei em mim mesma.

 

E se ser louca é ser incompreendida,

então que me chamem de louca à vontade.

Se ser feliz é um crime sutil,

eu assumo minha sentença com riso e bagunça no cabelo,

porque o verdadeiro charme

não está em agradar ou se encaixar:

está em existir

com gosto, com riso,

com a doçura leve

de quem sabe que a vida é mais divertida

quando se é inteira — e talvez um pouquinho louca.