Pra ser sincera,
não acho que eu seja louca.
O resto do mundo acha,
mas eu não — e isso já me faz sorrir
como quem descobre uma flor no meio da calçada.
Tenho um jeito doce de falar,
tão doce que talvez você morresse de diabetes
se sofresse desse mal e provasse meu papo de mel,
como se cada sílaba fosse caramelo derretendo
nos cantos do seu pensamento.
Mas não é o jeito doce,
nem o caminhar despreocupado,
nem o cabelo que insiste em desafiar pente e lógica
que me dá charme.
Meu charme é outro, mais secreto,
é essa impressão de loucura
que espalho sem querer,
como nuvem que se recusa a formar chuva,
como quem dança sozinha no corredor da vida.
No fundo, minha loucura é apenas felicidade:
a felicidade de me ver inteira,
mesmo que fragmentos de mim
pareçam quebrados para quem observa de fora.
É a alegria de perceber que o mundo
acha que eu estou perdida,
quando na verdade
eu já cheguei em mim mesma.
E se ser louca é ser incompreendida,
então que me chamem de louca à vontade.
Se ser feliz é um crime sutil,
eu assumo minha sentença com riso e bagunça no cabelo,
porque o verdadeiro charme
não está em agradar ou se encaixar:
está em existir
com gosto, com riso,
com a doçura leve
de quem sabe que a vida é mais divertida
quando se é inteira — e talvez um pouquinho louca.