Sergio Virtude

Medo de pó

Amanheci com medo hoje,

Não aquele comum, igual medo de escuro,

Um que não sei explicar,

Mas me faz sentir vivo ...

Tão vivo quanto minha necessidade de pressa

E de acordar ...

A pressa que tenho é o resultado

Do atraso que não tenho ...

E meus nãos, fazem-me olhar as pessoas,

E achá-las ridículas e necessárias,

Tais quais alguns de meus desejos,

Mascaradamente duplicados ...

É meio que olhar sem ver,

E sem a nefasta mania de raio X,

Que me é inerente ...

Não é um exercício de contemplação,

Pois estou triste comigo mesmo ...

É o ato em si, da própria visão,

Onde o que se adora,

É a poeira ...