Banhados em covardia,
aqueles que furtam
e fazem da joia da humanidade
mera barganha.
Aqueles que, pelo ofício de atuar,
buscam — apenas por entretenimento —
a rotina nefasta da exatidão
e vestem a mais chamativa máscara.
Somente pelo prazer de parecer,
nunca ser.
A joia mais bela e humana:
tesouro,
atenção e afeto.
Ode aos covardes,
reféns da necessidade de ser e existir,
que não expressam,
não confessam.
Aos que fogem do diálogo,
moradores das linhas que traçam
uma realidade ambígua.
Os que fogem do diálogo
que faz a vida madura e fiel,
dura e sofrida —
sem ternura sequer.
E, fruto do amargor,
restam os afetados
pela covardia alheia.