Talvez voltar meus olhos para mim
Tenha sido a pior escolha que já fiz
Agora invejo as folhas que balançam por aí
Os espíritos livres, independentes de si
Agora estou preso num lugar apertado
Que me espreme cada vez mais forte
Eu sou a prisão e seu próprio detento
E essa é a coisa mais ridícula que já vi
E eu nem tento mais sair
Nada faz sentido o suficiente pra tentar
Nada é prazeroso o suficiente pra fazer
Não me sinto real o bastante pra existir
Até escrever parece dramático e repetitivo
Rimar me soa forçado e excruciante
Porque no meu abismo não surge nada de novo
É o mesmo vazio de antes, como sempre
E eu invejo as serpentinas balançando por aí
Porque elas nunca notariam o seu próprio existir
Elas não sofreriam por não saber o que falar
E muito menos por não saber pra onde ir
Elas só seguem a melodia do vento, e balançam
Por aí