Moon Dark

1%

Mais uma vez eu venho escrever sobre você.

E eu odeio admitir isso.

Eu odeio que, no fim,

sempre seja você.

 

Não é porque me fez feliz.

É porque me deixou ferida.

E eu nunca soube lidar

com cortes que continuam abertos

mesmo depois da despedida.

 

Eu venho aqui quando o peito não aguenta,

quando a respiração falha,

quando lembrar de você

é como apertar o próprio machucado

só pra ter certeza que ainda dói.

 

Te odeio.

Te amo.

E o pior é que as duas coisas são verdade.

Com esse resto de nós, o que é que eu faço?

Se até quando te afasto, ainda te abraço?

 

Mas e agora?

O que eu faço com essa decepção?

Eu não tinha ensaiado essa parte do coração.

Eu estava preparada pra saudade,

pra distância,

até pra ausência.

Mas não pra essa sensação.

 

Foi um novo tipo de dor que você me causou,

uma lâmina fina que o tempo afiou.


Talvez era isso que faltava.

O golpe final.

O último estilhaço na parte mais sensível.

Pra matar aquele 1%

que ainda acreditava,

que ainda te defendia,

que ainda te esperava.

 

E sabe o que dói mais?

Não é te perder.

É perceber

que eu me perdi tentando te manter.

 

Talvez fosse preciso matar essa esperança pequena,

esse fio de luz frágil, quase amena.

Porque amar sozinha cansa, corrói,

e esperar por quem não vem

é o que mais destrói.

 

Hoje escrevo não pra te chamar,

mas pra finalmente me libertar.

Se ainda dói, é porque foi real,

mas nada é mais fatal

do que insistir naquilo que VOCÊ já colocou

um ponto final.