Luana Bueno

Ruína

A ruína da minha existência

foi ter te deixado partir.

 

E agora, te ver vivendo —

e sendo feliz —

faz emergir sentimentos

que tentei sepultar

dentro de mim.

 

Finjo não sentir,

finjo não lembrar,

finjo ser inteira…

 

mas, no lugar mais profundo da minha alma,

você ainda habita.

 

Não como ferida aberta,

mas como uma cicatriz

que nunca me deixa esquecer

quem fui

quando escolhi partir.

 

E então compreendo, em silêncio:

não era fraqueza amar —

fraqueza foi acreditar

que conseguiria viver

sem aquilo que um dia

me fez sentir viva.