Como dói amar um quase…
Dói se apaixonar… dói e faz calar.
Quando acho que tudo passou,
Do nada retorno onde tudo começou… e meu peito volta a lembrar.
Como pude me apaixonar por você?
Queria entender por que tinha que acontecer.
O pior é que pareceu que você também sentiu…
E agora finjo que nada existiu.
Eu sabia… você era alguém proibido,
Um sentimento guardado… escondido.
Mesmo sabendo que você não era pra mim,
Eu ultrapassei limites dentro de mim.
Foi um ato de loucura… de paixão insana,
Um instante ardente que virou chama.
Eu, em sã consciência, jamais faria isso…
Tenho meus valores… meu próprio compromisso.
E sinceramente não sei como fui me entregar assim,
Como deixei o coração decidir por mim.
Mas eu fui…
E fui inteira.
Você foi o proibido mais gostoso e mais desejado pra mim,
O erro que eu quis viver até o fim.
A tentação que eu não quis evitar,
O risco que meu coração escolheu enfrentar.
Eu só queria poder te olhar
Sem ter que fingir… sem precisar disfarçar.
Como dói fingir que você não existe,
Sorrir por fora… enquanto o coração insiste.
Como me dói tudo isso…
Esse quase amor… esse compromisso omisso.
Me machuca essa indiferença tão fria,
Como se o que vivemos fosse fantasia.
Me machuca esse silêncio pesado…
Esse vazio depois de ter sido abraçado.
Você passa por mim como se nada existiu,
Como se o meu mundo não tivesse ruído.
Dói o jeito que você evita olhar,
Como se sentir fosse algo pra negar.
Dói perceber que eu lembro de tudo…
Enquanto pra você talvez tenha sido só um segundo.
Esse silêncio corta mais que palavra cruel,
É como cair sozinha depois de tocar o céu.
Porque eu senti… eu vivi… eu me entreguei…
E hoje carrego sozinha o que eu guardei.
Você foi algo bom pra mim,
Mesmo que hoje pareça o fim.
Embora agora me odeie…
O que eu senti não se destrói… não se corrói.
Você sempre ficará aqui…
Guardado em meu coração… dentro de mim.
No silêncio que grita na solidão,
Numa lágrima escondida na escuridão.
E eu lembro de tudo o que você já me falou…
De cada cuidado que você demonstrou.
Da preocupação que me envolvia,
Dos elogios bobos que eu sorria.
Das brincadeiras que me arrancavam riso,
Das cantadas inocentes… leves e imprecisas.
Do ar-condicionado que não quis ligar,
E do calor que fazia tudo incendiar.
Não era frio… era o quarto abafado,
O ar parado… o desejo calado.
O suor misturado à tensão no ar,
E meu coração acelerado… sem saber onde parar.
O calor subia… a respiração também…
Cada segundo parecia dizer… vai além.
E mesmo com o ar que não quis funcionar,
Era o nosso silêncio que fazia tudo esquentar.
O filme do Shrek passando na televisão…
Mas minha atenção estava no compasso do teu coração.
Nós dois deitados… o mundo lá fora ausente…
Eu deitada no teu peito… você me abraçando forte… silenciosamente.
O medo… a tensão… o silêncio no ar…
Misturados ao desejo difícil de controlar.
Teus olhos me olhando… eu jamais esquecerei…
Foi ali que eu soube o quanto eu me entreguei.
Quando estamos perto… minha vontade é te abraçar…
Te puxar pra perto… e nunca mais soltar.
Minha vontade é te beijar… sem pensar…
E deixar o coração finalmente falar.
Eu queria te beijar e te amar mais uma vez…
Sentir teu abraço… como naquela vez.
Esquecer o tempo… o medo… a razão…
E apenas viver o que gritava o coração.
E já me lembro de tudo… como um filme a passar…
De cada instante que me fez te amar.
Se fosse em outra vida… em outra circunstância…
Sem culpa… sem medo… sem distância…
Eu queria você inteiro só pra mim…
Sem “quases”… sem fim.
Agora eu evito te ver… evito te encontrar…
Não porque eu quero… mas porque precisa ser assim… pra não me machucar.
E você sempre ficará guardado
Nos meus abraços que não dei…
Nos meus olhos que desviaram…
E dentro do meu coração…
Como o amor mais intenso
Que nunca pôde ser vivido por completo…
Como o meu eterno…
Quase….