Rafael Hoc.

A Partida

Ela partiu,

para bem longe.

Não olhou para trás,

Apenas seguiu.

Saiu de casa,

Numa tardezinha qualquer,

Mas que agora é especial.

 

Queria ser livre,

Viver uma nova vida.

Arriscou tudo,

Por algo que ela queria.

Sua coragem era forte,

Ninguém ousou impedir.

 

Sonhava acordada,

Sorrindo com os olhos brilhando;

Ela se via.

Não lhe restava nada,

apenas a sua missão.

 

Foi para o longe,

Onde ninguém havia de encontrá-la.

Cansada de tudo e de todos,

ela foi viver.

 

Com sua mochila nas costas,

Ia pela estrada sem curvas.

Decidida a não voltar,

foi seguindo seu coração.

 

Ela mal pensou duas vezes,

Ela apenas fez.

Encontrou a liberdade,

Ela é livre!

Por ela fiquei feliz.

 

Ontem eu a vi,

Em meio ao pôr do sol.

Ela olhou e sorriu, 

Como nunca antes.

 

Então a mim,

Ela acenou pela última vez

E foi viver em paz.

 

E em meio disso,

Chorei e chorei.

Olhando a sua felicidade,

Apenas disse:

Tchau, tchau...

 

Ela não pensou nos pais

que agora choram.

Sentiram-se culpados —

mas agora já é tarde.

 

Ela se foi, 

E para onde não sabemos.

Ninguém com ela foi,

Mas também ninguém foi avisado.

 

Talvez ela volte um dia,

Ou talvez não volte jamais.

O vento sabe seu nome,

A estrada conhece seu cheiro,

Mas não irá contar para os mortais.

 

Todos choram,

E não é pela perda.

Todos da cidade ouviram,

E de luto ficaram.

 

Olhando no horizonte,

Tentando vê-la 

Seguindo seu rumo.

 

Ninguém lembra seu nome,

Mas todos lembram sua coragem.

As correntes se

desataram, 

Finalmente caíram ao chão.

 

Sua história não terminou,

Apenas começou.