Nalva Melo

Histórias da Terrinha

 

 

Seu Chico, irmão de Francisco, amigo de Federico, que morava na roça e ganhou Jovelina no grito. Garimpava no garimpo, o pai fabricava granito. O coitado não tinha aparência, mas era filho de rico.  

 

Dona Dora, tadinha, trabalhava toda tardezinha na sua humilde rocinha. Tinha treze filhos e sete netinhas, era amada por suas noras, que nunca iam embora, só para não deixá-la sozinha.  

 

Seu Bira, lá do bar, a ninguém dava ligar. Não vendia fiado, todos tinham que pagar. Era um homem calmo, andava devagar, mas se devesse a ele, logo vinha cobrar.  

 

Dona Marisa e seu Elizeu eram os donos da cidade, conhecidos como os banqueiros — eita cabras retados! Manejavam bem o dinheiro, só andavam com Maria do lado. Quem pisasse no calor deles, saía com os dois pés cortados.  

 

Dona Chica, fuxiqueira, da vida nada fazia. Quando não estava no bar do Bira, estava na porta da vizinha. Conhecida na população da roça, era barraqueira, namoradeira que só… não passava de uma fofoqueira.  

 

E enfim, a vovó Sidinha, tão velha que ninguém mais via. De ano em ano ia à missa, levada por sua sobrinha. Gente, não falo da vida de ninguém, são apenas historinhas, recordações que contei da minha humilde terrinha.