Deixe-me provar teu gosto
Êxtase infindo em lábios de favo,
Saciar quimera antes contida,
Desejo ardente não mais preservado.
Deixe-me a língua enroscar na tua,
Tornando segundos em horas eternas,
Jamais pensar no momento cessar,
Ainda que o fôlego peça clemência.
Deixe-me o corpo em brasa viva,
Incontrolável, encontrar o teu,
Envolver-te os braços, afagar teu rosto,
Suavemente, com os beijos meus.
Deixe-me deitá-la sob o manto
Do firmamento que a vida ilumina,
Despi-la toda e, assim, nua,
Ao céu causar inveja: pintura divina.
Deixe-me invadir teu íntimo,
Ouvir gritos, minhas mãos acariciar
Teu corpo, também escultura,
Curvas perfeitas que almejo explorar.
Deixe-me cansado, exausto, enfim,
Após décadas de carícias, respirar,
E, no momento silente, apenas dizer:
Vamos tudo recomeçar...