Oswaldo Jesus Motta

Deixe-me provar teu gosto

Deixe-me provar teu gosto

Êxtase infindo em lábios de favo,

Saciar quimera antes contida,

Desejo ardente não mais preservado.

Deixe-me a língua enroscar na tua,

Tornando segundos em horas eternas,

Jamais pensar no momento cessar,

Ainda que o fôlego peça clemência.

Deixe-me o corpo em brasa viva,

Incontrolável, encontrar o teu,

Envolver-te os braços, afagar teu rosto,

Suavemente, com os beijos meus.

Deixe-me deitá-la sob o manto

Do firmamento que a vida ilumina,

Despi-la toda e, assim, nua,

Ao céu causar inveja: pintura divina.

Deixe-me invadir teu íntimo,

Ouvir gritos, minhas mãos acariciar

Teu corpo, também escultura,

Curvas perfeitas que almejo explorar.

Deixe-me cansado, exausto, enfim,

Após décadas de carícias, respirar,

E, no momento silente, apenas dizer:

Vamos tudo recomeçar...