Já parou para pensar
que, quando você decide partir,
não é só o corpo que viaja —
algo dentro de você fica para trás.
Sair da zona de conforto,
deixar a família,
os amigos,
as rotinas que sabiam seu nome,
é atravessar um oceano
carregando silenciosamente
um luto.
Não é o luto da morte,
mas o luto da saudade.
Não é ausência definitiva,
mas é perda.
Não é despedida eterna,
mas dói como se fosse.
É um luto vivo,
respirando dentro do peito,
sussurrando perguntas
que não têm resposta.
Você segue, aprende, cresce,
mas há dias
em que a saudade pesa
mais que qualquer mala.
Amar à distância
é reaprender a existir
com pedaços faltando.
Talvez seja por isso
que esse luto seja tão intenso:
porque acontece em vida
e, muitas vezes, pesa
mais do que a própria
definição de morte.