Tem algo apodrecendo
nos corredores da minha mente.
Isso não faz barulho.
Só fica ali imóvel
respirando baixo e me chamando pelo nome que escondi sob camadas de desculpas e culpas que não pude colocar em ninguém.
Fala de sementes...
Das que plantei com mãos trêmulas.
Da colheita que agora fede sob meus pés.
Dizem que colhemos o que plantamos. Eu colhi carne. Raízes encharcadas de culpa. Vermes trabalhando com diligência sobre aquilo que um dia chamei de futuro.
Meu jardim não floresceu mas necrosou.
E eu caminho por ele como um coveiro entre suas queridas lápides.
O amor já foi promessa.
Hoje é um retrato virado para a parede.
Toco e só encontro uma superfície fria. Sem calor algum...
Apenas a constatação de que algo em mim morreu antes do meu coração parar.
A conforto no erro.
Ele não exige explicação.
Me oferece abrigo, uma cadeira diante de uma lareira apagada e diz “Fica.” E eu obedeço Porque ali tem uma comodidade agradável....
A empatia é cruel
ela devolve a imagem exata do que me tornei. No egoísmo, ao menos, tem silêncio. Um silêncio espesso, fechado como um túmulo recém-lacrado.
Me Ensinaram a carregar culpa como se fosse meu sobrenome.
Nunca a soltar.
Nunca a deixar ir.
Uso isso como pele.
Ela pesa, mas já moldou meus ombros.
Já definiu minha postura curvada diante da própria existência.
Eu grito por dentro. O som não atravessa minha boca. Ele se desfaz antes, esmagado por argumentos que construí para me proteger dos outros.
Rezei, sim. Não por fé mas por exaustão. Pedi um rasgo no céu. Um corte mínimo na repetição cinza dos dias. Mas toda súplica terminava do mesmo jeito eu voltando para uma cama fria aceitando a própria indiferença como quem assina um contrato com a própria ruína.
Permaneço aqui. Entre querer acordar e querer desaparecer. Um vulto que caminha dentro da própria cabeça, respirando um ar viciado. O solo está saturado. E sei, com uma lucidez cruel, que nada brotará dali além do cheiro doce e insuportável daquilo que já passou do ponto de ser salvo.
A n d r o m e d a