Eu deixarei morrer em mim a vontade
de não aceitar o incerto…
de não temer o que não sei nomear.
Deixarei morrer em mim a ânsia
de querer que sintas a mesma certeza que arde em meu peito,
como se o amor fosse juramento escrito em pedra
e não tempestade feita de carne e saudade.
Eu deixarei morrer em mim a vontade
de não sentir mais esta dor,
mas como, se ela vive em cada lembrança tua?
Como, se até o silêncio me traz tua voz?
Busco em ti compreensividade,
um abrigo, um olhar que não fuja.
Mas tu, meu cavalheiro,
tu te escondes atrás de tuas armaduras,
essas que não brilham por honra,
mas por cicatrizes.
E eu entendo,
pois cada placa que te cobre
parece feita de tudo que já te feriu.
Cada pedaço de metal que te protege
é também o que te impede de voltar.
E eu, princesa tola, ainda desejo,
desejo amar-te sem medo,
desejo não ter que implorar por migalhas do que já foi inteiro.
Eu queria te ver todos os dias,
te tocar como se o mundo parasse,
como se não existisse guerra, nem distância, nem orgulho.
Mas existe.
E o peso que eu carrego
diz-me:
será que um dia passa?
Porque eu te quero de volta,
de volta ao meu mundo,
onde teu nome não seja ausência,
onde tua presença não seja lembrança.
Quero-te aqui,
para que possamos, enfim, melhorar a cada dia.
Como dois destinos que se reencontram
mesmo depois de tantas batalhas.
Volta, meu cavalheiro,
não como herói invencível,
mas como homem cansado, real,
que não precisa mais lutar sozinho.
Pois se tua armadura é feita de dor,
deixa-me ser tua paz.