a lonely poet

PASSOS VAZIOS

 

Ando pela rua e vejo meus passos vazios, imaginando o destino se houvesse uma direção. Nesse vácuo habitam rotas já feitas, caminhos que outrora guiaram o coração.

Pensei em deixar que a memória fosse o guia, mas o peso do agora é maior que o pensamento saber que ninguém espera ao fim do dia traz um silêncio que ecoa no silêncio 

Por onde andam as figuras dessas lembranças? Será que ainda ensaiam um breve retorno àquela praça, palco de tantas esperanças, entre lanches, jogos e o risos 

Por qual direção reencontro o Mateus e a Ana,

unidos no plano de um futuro a dois?

A realidade, por vezes, é soberana,

e o que sonhamos não ficou para depois.

Eu sei que o Benjamim já não vem,

e a Ester não será a irmã mais nova.

O destino retém o que a vida não tem,

e o peito guarda o que o tempo reprova.

Talvez eu deixe rastros, um mapa, um sinal, de como chegar onde a memória ainda mora. Pois se o meu caminho chegou ao final, ensinarei outro a encontrar sua memória.