Meu dia amanheceu pesado,
Coração quieto, olhar cansado.
Mesmo sem ânimo pra sair,
Respirei fundo… precisei seguir.
Quase não saio, vivo recolhida,
Entre os silêncios da minha vida.
E como pode, sem combinar,
Nos cruzarmos três vezes… no mesmo rodar?
Eu nunca te vejo, quase não estou,
E hoje o acaso nos atravessou.
Três vezes de carro, em direções talvez,
Como se o tempo piscasse outra vez.
Vidros fechados, caminhos em vão,
Mas um susto doce no coração.
Um frio na barriga, leve e ligeiro,
Guardado em silêncio, secreto e inteiro.
Não deixei transparecer no olhar,
Aprendi bem a disfarçar.
Segui meu caminho, firme e serena,
Como quem já não carrega a cena.
Por fora, calma..... nada mudou.
Por dentro, algo se iluminou.
Ninguém percebeu, ninguém notou,
O quanto aquele instante me tocou.
Eu te vejo todos os dias ali,
Mas finjo que já não é sobre ti.
Depois de tudo o que aconteceu,
Algo em mim se recolheu.
O que me resta é certa solidão,
Isolamento como proteção.
Indiferença vestida de véu,
Pra esconder o que ainda é fiel.
Você não me fez mal, eu sei,
Mas o que vivemos eu guardei.
Não foi você… foi o que se perdeu,
Foi o que entre nós adormeceu.
Te ver assim, cruzando o meu caminho,
Foi bom ... mesmo que rapidinho.
E pelo menos hoje, discretamente,
Me alegrei um pouco… somente.
Mas ninguém precisa perceber,
Nem imaginar o que fui sentir.
Porque o que eu quero, simples e só,
É tua amizade de volta… sem levantar pó.