Uma desmotivação,
preguiça,
inquietude.
Um desleixo de quase nada
e uma preocupação
sem perspectiva futura.
Deixado em um canto com um sorriso bobo,
com decisões diretas
e pensamentos furtivos.
Ah os pensamentos,
assombrosos pensamentos,
desleixados,
pecaminosos.
Controlam-me,
elevam-me,
jogam-me ao chão
onde fico
envolto na lama que pisoteio.
Imerso no estrume malcheiroso,
agrado-me na perdição
do meu próprio ser.
Envergonho-me,
sigo de longe a mim mesmo,
não ouso olhar de perto a vergonha
de ser eu.
Preguiça de viver e conviver,
quem sonha com a liberdade,
grita por ela,
busca ela.
Nada tenho de livre,
nada de verdade,
nem um sonho.
Parco e vazio na imundice do eu.
Elevado no despertar de um quase nada.
Preso ao apócrifo do desejo alheio,
à sombra desnuda — ao sopro atonal da realidade,
esguia e insossa.
E quando chego,
sujo,
cansado,
carregado de prazer e dor
— acaba mais um.