Fábio Alves Leão

QUINTILHAS

No silêncio dos olhares, sem dizer, 

Escondemos um segredo a arder, 

Amor proibido, tão perto e distante, 

Vivendo em sombras, sempre hesitante, 

Num desejo que insiste em florescer.

 

A morte é sombra que vem devagar, 

Silêncio que chega sem avisar, 

Leva consigo o tempo e o chão, 

Mas deixa na alma a recordação, 

Do ciclo da vida a se completar.

 

A solidão é um véu a cobrir, 

O peito que anseia por se abrir, 

Caminho sem eco, sem direção, 

Abraça o vazio, faz-se prisão, 

E no silêncio, aprende a sentir.

 

Pés descalços, no chão a deslizar, 

Desejos ocultos, difíceis de negar, 

Fantasias ardentes, no toque a crescer, 

O tesão é chama pronta a arder, 

No silêncio da pele, o prazer a chamar.

 

Na juventude, eu sonhava e sorria,

Com energia e esperança em cada dia,

Hoje o medo cala minha ousadia,

Decepção e incerteza, amarga agonia,

Restam sombras onde a luz se perdia.

 

No céu pintado em tom carmim,

O arrebol se faz canção,

Um beijo cálido, breve, enfim,

Que abraça o dia em despedida,

E acende a luz da emoção.

 

 

Amar é ser abrigo em noite fria,

É proteger mesmo sem poder tocar,

É apoiar com doce valentia,

Sem nada em troca desejar,

É estar presente, ainda que longe, todo dia