Gi.

Homens que se foram

Todos meus ficantes, meus ex, meus talvez

Passaram na minha vida, nenhum ficou de vez

Foi água suja descendo na rua da emoção

Teve vez que veio limpa, mas não tocou meu coração

O ex que eu queria de volta, que eu pedia atenção

Hoje é só memória fraca, sem força, sem tensão

O que era vício virou lição

O que era apego virou libertação

Eu que chorava, que insistia, que corria atrás

Hoje nem sinto nada, e isso traz paz

Vergonha não, aprendizado no olhar

Eu precisei cair pra saber levantar

Os ficantes? Vento curto, chama fria

Nem bagunçou minha noite, nem virou poesia

O garoto fumaça, truque, neblina, distração

Sumiu no meu cenário, sem continuação

Dessa vez ele escreveu “adeus”, foi verdadeiro

Não jogou fumaça, saiu do roteiro

E eu fechei a cena, troquei o papel

Agora só entra quem vier pro céu

Tô no caminho do meu vagabundo chegar

O que vai rir comigo e me fazer cantar

Música mais doce, madrugada quente

Abraço que firma, beijo que é presente

Quero cartinha com marca de batom

Palavra simples com som de dom

Quero olhar que segura, mão que encaixa

Amor que soma, não amor que taxa

Não lembro mais o rosto de quem passou

Isso mostra o quanto meu peito curou

Meus olhos tão livres, meu peito também

Guardando espaço pra quem vai fazer bem

Tô na espera, mas vivendo, tá ligado?

Coração aberto, mas bem selecionado

Então vem bonito, vem de verdade

Que eu tô pronta pra amar, com intensidade