Ela mentia
Enquanto o rímel borrado escorria
Ela mentia
Encenando sua falsa alegria
Ela mentia
Uma coisa nova a cada dia
Ela mentia
Sempre escolhendo quem hoje seria
Ela fugia
Daquela mesma música doentia
Ela fugia
Daquela falsa doce poesia
Ela fugia
Da própria vida que se corroía
Ela fugia
Mas da própria mente não saía
Ela escondia
Dizendo tudo em calculada ironia
Ela escondia
As marcas roxas de sua agonia
Ela escondia
O sangue na bancada fria
Ela escondia
A sensação de que não pertencia
Ela morria
Por causa de sua tentativa tardia
Ela morria
Lentamente, porque adoecia
Ela morria
Por dentro se consumia
Ela morria
E ninguém sequer sabia
Ela morria
Ela escondia
Ela fugia
Ela mentia
Ela era uma mentirosa
Vivia em sua fantasia
Esquecendo quem seria
Sem o castelo que a protegia