JUNIO ANGELO DE SOUZA

Valsa para um Sonho Pálido

 

Na sombra fria do meu quarto escuro,
Ouço a saudade em lúgubre canção;
Chora a lua na vidraça do coração,
E o vento soluça num sussurro impuro.

A vida passa espectro vago e duro 
Como um suspiro breve de ilusão;
E eu beijo a face pálida da solidão
Como quem ama um anjo sem futuro.

Ah! Se a morte viesse, doce e lenta,
Cobrir meus olhos de serena paz,
Qual virgem triste que o amor acalenta…

Talvez meu sonho enfim dormisse em paz;
Pois esta alma, tão febril e sedenta,
Vive de ausências que ninguém desfaz.