MAISA NALAPE

Dia dos Namorados

Vejo fotos acesas na tela,

declarações em molduras digitais,

corações que brilham

no palco das redes.

 

E eu aqui,

em silêncio.

 

Amarrada a um laço

que não aquece,

num relacionamento

que não conversa

com a minha alma.

 

Não há brilho,

não há encontro,

apenas um vazio

que ocupa espaço

sem preencher.

 

Às vezes me pergunto

se estou acompanhada

ou apenas habituada.

 

Solteira, eu era riso leve,

era inteira na minha própria companhia.

Hoje sou ausência

ao lado de alguém.

 

Mas nesta data

não celebro promessas humanas.

Desde 2020,

comemoro o presente que Deus me deu —

vida, recomeço,

força para enxergar

o que mereço.

 

Porque amor de verdade

não amarra,

não silencia,

não apaga.

 

E se for para celebrar,

que seja a coragem

de não aceitar

menos do que faz

a alma florescer.