Vejo fotos acesas na tela,
declarações em molduras digitais,
corações que brilham
no palco das redes.
E eu aqui,
em silêncio.
Amarrada a um laço
que não aquece,
num relacionamento
que não conversa
com a minha alma.
Não há brilho,
não há encontro,
apenas um vazio
que ocupa espaço
sem preencher.
Às vezes me pergunto
se estou acompanhada
ou apenas habituada.
Solteira, eu era riso leve,
era inteira na minha própria companhia.
Hoje sou ausência
ao lado de alguém.
Mas nesta data
não celebro promessas humanas.
Desde 2020,
comemoro o presente que Deus me deu —
vida, recomeço,
força para enxergar
o que mereço.
Porque amor de verdade
não amarra,
não silencia,
não apaga.
E se for para celebrar,
que seja a coragem
de não aceitar
menos do que faz
a alma florescer.