O seu colo foi meu abrigo.
Nele, eu poderia ter morado
por toda a eternidade.
Sua respiração
era minha calmaria
nos dias em que o mundo
se tornava tempestade.
Ah… como eu queria
o seu colo outra vez —
apenas para, ainda que por um instante,
desprender-me do peso do mundo
e navegar no silêncio
dos seus braços.
Hoje tenho vivido,por dias barulhentos,
carregando uma saudade serena
de onde, pela primeira vez,
eu soube o que era estar em casa.
Porque havia paz ali.
Uma paz rara, quase impossível,
daquelas que não se explicam —
apenas se sentem.
E, desde que parti,
carrego a saudade
de um lugar
onde minha alma
finalmente sabia repousar.