Palavras serão só palavras
até que haja uma interferência
no meio do caminho.
Egoísmo talvez, mas dessa vez,
decidi escrever só pra mim,
pro meu outro eu, minha sombra,
meu outro personagem, o outro lado da moeda.
Deveras por muito tempo
já habito outra roupagem,
mascarada pra fingir alguma esperança,
camuflada pra esconder desgosto.
Mas cá estamos, meu amigo,
todos juntos encenando uma fábula,
um conto de drama e horror
escrito por nós mesmos, bonecos de carne e osso,
bizarramente de modo tão natural
beirando ao sórdido e insano,
olhando cada brinquedo na rua
com um sorriso tão vil
como se essa vida
fosse uma verdade absoluta.
Egoísmo talvez, mas em meus pensamentos
ninguém entra.
E queira acreditar ou não,
mas escolho me embriagar
nas minhas próprias palavras
e assumir certa culpa por isso,
do que vêr-lhe se perder num mundo
que possa tirar a única coisa que te resta,
a fantasia.
S.R.