Yves de Sá

Desamor

O desejo do fim caminha

ao lado da espera do talvez

 

Como sigo aqui agora

se o que mais peço

é apenas deixar de estar

deixar de ser

deixar de sentir

 

Cada dia parece disputa silenciosa

entre o que penso e o que pulsa

e o tempo, passando lento,

aprofunda o vazio que mora em mim

 

Como falar de amor

de promessa

de futuro

se por dentro tudo ecoa longe

 

Quisera eu parar

silenciar essa febre funda

deitar a dor no esquecimento

 

Mas até nisso hesito

como se partir ferisse mais os outros

do que essa permanência me fere

 

No fim, sobra-me amor por quem fica

e falta-me

por mim

para enfim descansar