O desejo do fim caminha
ao lado da espera do talvez
Como sigo aqui agora
se o que mais peço
é apenas deixar de estar
deixar de ser
deixar de sentir
Cada dia parece disputa silenciosa
entre o que penso e o que pulsa
e o tempo, passando lento,
aprofunda o vazio que mora em mim
Como falar de amor
de promessa
de futuro
se por dentro tudo ecoa longe
Quisera eu parar
silenciar essa febre funda
deitar a dor no esquecimento
Mas até nisso hesito
como se partir ferisse mais os outros
do que essa permanência me fere
No fim, sobra-me amor por quem fica
e falta-me
por mim
para enfim descansar