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uma menina que se torna uma mulher

Uma menina

merece viver livre 

e não ser violada

por ruas que sussurram medo

nem por olhares que não pediram licença.

Ela merece correr, pular, gritar,

sem que o mundo sinta necessidade

de aprisionar seu corpo antes do tempo.

Merece sentir o vento no rosto,

sem olhar por cima do ombro

como se cada sombra fosse ameaça.

Ela merece estudar, sonhar, escolher,

sem que alguém diga que limite é lei.

Merece amar sem culpa,

dançar sem censura,

vestir o que quiser,

ser dona de si mesma.

Ela merece crescer sem carregar

a culpa de quem a machuca,

sem aprender cedo demais

que o silêncio é sobrevivência.

Uma mulher

merece ter voz que ecoe mais alto que o preconceito,

direito de errar, de mudar, de existir.

Merece respeito, segurança, igualdade,

e não desculpas para violência.

Ela merece ruas iluminadas, escolas seguras,

famílias que a protejam sem julgar,

políticas que garantam direitos

e não apenas discursos vazios.

Porque o mundo insiste

em ensinar que corpo tem dono,

que desejo deve ser controlado,

que liberdade tem preço.

Mas a menina que cresce,

a mulher que resiste,

recusa essas correntes invisíveis.

Ela merece proteção sem condescendência,

apoio sem paternalismo,

respeito sem favor.

Ela merece caminhar de mãos dadas

com suas amigas,

sem medo de sussurros ou passos atrás.

Ela merece gritar, escrever, cantar, criar,

sem que cada palavra seja censurada,

sem que cada gesto seja interpretado

como convite ou provocação.

Ela merece ser amada por quem a respeita,

não punida por quem se julga dono.

Cada agressão que sofre,

cada comentário que dói,

cada “não deveria vestir isso”

não define seu valor.

O problema nunca foi a menina,

mas quem tenta aprisionar seu corpo,

quem tenta calar sua voz,

quem insiste em medir sua liberdade

com régua de medo e controle.

Ela merece pais, irmãos, professores, amigos

que ensinem o respeito como lei,

que defendam sem hesitar,

que gritem junto com ela

quando o mundo insiste em silenciá-la.

Ela merece envelhecer com dignidade,

ver suas filhas crescerem sem repetir o ciclo

de medo, culpa e violência.

Ela merece histórias que celebrem sua força

e não apenas relatos de dor.

Ela merece ocupar espaços públicos e privados,

ser protagonista, líder, criadora, pensadora,

sem que ninguém se sinta ameaçado

pela simples existência de sua liberdade.

Ela merece acessar conhecimento,

recursos, oportunidades,

sem ser barrada por preconceito ou gênero.

Ela merece saúde, segurança, educação,

políticas reais e não promessas vazias,

mídia que valorize sua voz

e não apenas seu corpo.

Ela merece respirar sem medo,

sonhar sem limites,

existir sem justificativa.

Ela merece amor sem culpa,

amizade sem disputa,

respeito sem condições.

Ela merece celebrar suas vitórias,

chorar suas dores,

caminhar sua jornada

sem ser diminuída, julgada ou punida

por viver, simplesmente.

Ela merece música, dança, arte, expressão,

sem medo de censura ou assédio.

Ela merece rir alto, sem que olhares a calem,

merece caminhar sozinha sem medo

de ser atacada ou julgada.

Ela merece liberdade de escolha,

de voz, de corpo, de pensamento,

sem que a sociedade a limite.

Ela merece lutar,

e que sua luta seja reconhecida,

que não seja condenada por resistir.

Ela merece gritar contra injustiças,

contra assédio, contra violência,

contra qualquer sistema que a oprima.

Ela merece existir plena, inteira, viva.

Ela merece ser respeitada,

mesmo quando cansada,

mesmo quando triste,

mesmo quando diferente.

Ela merece ser protegida

sem perder a autonomia,

sem que liberdade seja confundida com perigo.

Ela merece igualdade,

não privilégios ou favores.

Ela merece líderes que ouçam,

que criem leis, ruas, escolas,

que construam mundo seguro,

onde ser mulher não seja risco.

Ela merece justiça, não culpa;

amor, não violência;

futuro, não medo.

Ela merece gritar,

sem eco de culpa;

merece caminhar,

sem sombra de ameaça;

merece viver,

sem correntes, sem prisão,

sem silenciamento.

Porque cada menina que sofre,

cada mulher que resiste,

cada corpo que se ergue

é também um manifesto,

uma revolução,

uma recusa silenciosa de aceitar menos

do que liberdade, respeito, dignidade.

Ela merece mais que sobrevivência:

merece vida plena,

merece existir inteira,

merece ser feliz.

E se o mundo tenta calar,

ela aprende a gritar.

Se tenta aprisionar,

ela aprende a correr.

Se tenta diminuir,

ela cresce ainda mais.

Porque ninguém, absolutamente ninguém,

tem o direito de roubar

o que é essencial:

a liberdade de ser,

de caminhar sem medo,

de viver inteira,

de ser feliz.