Isabella Vitória

ENTRE UMA PALAVRA E OUTRA

Você pergunta o que dizia aquela poesia.
Eu digo que não é poesia.
Não sei.
Não faço. 
É só um junção de versos 
Que quase quer dizer alguma coisa.

Você dá de ombro
Fuma o ultimo cigarro do maço
E finge também que quase se importa.

Não somos descasos.
Você mora no meu peito esquerdo,
Dorme no lado direito da cama
E bebe seu café na minha xícara preferida.

Eu morreria por você.

Mas não sei se deixaria 
Você saber dos meus escombros.
Não sei se dividiria o meu silêncio contigo
Nem se meu vazio te caberia lá. 

Você pergunta de novo
Sobre o que eu estou escrevendo
E eu penso:

Não apresse minha leitura
como quem deseja apenas a carne.
Quero que me deseje pelo intervalo,
pela espera entre uma palavra e outra.
Que me devore com a fome
de quem escuta —
para que eu possa, então,
te recitar um verso
como quem oferece
o que ainda pulsa,
imperfeito,
vivo
e perigosamente meu.