Arthur Vidigal

DESENCANTO À SCHOPENHAUER

Ah, solidão…
por que me agarras
como quem agarra
uma nova paixão?

A solidão
se instala discreta e tece,
muitas das vezes em silêncio,
uma lição.

Há muito venho tentando entender
a solidão;
nessa busca incessante
me tornei um dos porcos-espinhos
que, no inverno, dão as mãos.

Antes de repelir,
os espinhos machucam.
Novamente me deparo sozinho,
procurando uma nova desculpa.
Encontrei!
Ah, solitude…