Stéfani Rossi

O TOM INVISÍVEL

O problema não são as perguntas,

mas no tom da voz das palavras decretadas.

Se não reverbera uma essência, 

então vira eco disperso numa caverna perdida.

 

E não é isso que quero, que espero,

que busco, que procuro.

Para uma multidão, eu sei, 

falo em códigos ancestrais ou místicos.

Mas eu não falo pro mundano,

digo, eu não grito para os surdos.

 

Pra cada fagulha de luz que sai de cada ideia sentida,

quero que voe camuflado de sensações

e se transmute em sentimentos sutis.

 

Vibrará, mas naqueles cujos corpos 

já não se rendem ao mundo caído, e sim, 

aos vulneráveis ao imperceptível, o intangível, 

onde o arrepio não vem da pele, mas do coração.

 

S.R.