Depois de mim,
quem ficou no meu lugar
sem tremer?
Quem tocou a tua pele
com a mesma febre,
com a mesma fome de infinito?
Diz-me —
houve alguém
que te amasse sem medida,
que te enfrentasse sem medo,
que te elevasse ao trono
quando querias fugir da própria coroa?
Eu fiz-te subir ao alto.
Vi o brilho nascer nos teus olhos
como incêndio rasgando a noite.
E agora só vejo cinzas.
Irreconhecível.
Mais frio.
Menos chama.
Podem tentar repetir o meu nome
nos teus ouvidos,
decorar os meus gestos,
ensaiar a minha entrega —
mas intensidade não se copia.
Profundidade não se finge.
Paixão não se aprende.
Eu não fui apenas amor.
Fui tempestade.
Fui espelho.
Fui a mulher que te ensinou
o que é ser desejado
sem reservas.
E no silêncio que ficou entre nós
arde uma certeza que te persegue:
não se substitui
quem deixa
marca de fogo.