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De volta ao barco

Preto e branco, acordando no fim da alvorada 
Pinte os céus de preto, com pontos brancos em alguns lugares 
Atinja as cores, tingir em outras cores, me mostre mais de perto 
Amanhã não estarei aqui, estou perdendo tudo o que tenho 

Sou o marujo do meu próprio barco, mas estive naufragando diversas vezes 
Sem direção, eu mirei nas estrelas e acertei o abismo 
Ficando velho, ficando fraco, ficando deprimente 
Seu reflexo no espelho, verdadeiramente irreconhecível 

As horas passaram, não lembro quantas vezes conversei comigo mesmo 
Estou mostrando as cicatrizes abertas, para que outros não sigam o mesmo caminho 
No frio da minha espinha, as madrugadas são só minhas 
Não lembre, não recorde, feche essa história de uma vez por todas 

E aquela mulher, com sorrisos maliciosos 
Caí no canto da sereia, fui tragado para o fundo do lago 
De alguma forma, em alguma razão, eu escutei alguma voz falando para acordar 
Tantas vezes pisei no mesmo buraco, tantas vezes me arrastei para fora 

Então, consegue me ver? O que sou e quem sou?
Aquele que sempre esteve com a espada presa no torso 
Sou útil? Sou servil? Voltei de uma longa viagem, de um desvio, do meu próprio pesadelo...estou de volta ao barco...