Arthur Santos

ACORDEI NUM ESTADO DEPLORÁVEL

ACORDEI NUM ESTADO DEPLORÁVEL

era uma daquelas noites escuras

uma estranha e húmida noite escura

 

apenas uma estranha e ténue luz

emanava das paredes do cemitério

e envolvia uma apodrecida cruz

numa inquietante sensação de mistério

 

senti aquela cruz tão fria e tão nua

que não consegui deixar de a olhar

 

e depois aquela lua...

 

acordei num estado

deplorável

gelado

um horror

de se ver

 

puxei o cobertor

e voltei a adormecer