Stéfani Rossi

NÃO PASSARÁS

Me faz um favor? Não é por mim, é pela tua alma

Essa pergunta é simbólica,

pois, já que eternamente dorme e recusa-se a negar o mundo, imundo,

sei que não irá agradecer pelo que está lendo, 

algo que recebestes do acaso, 

sempre estupidamente armados

preferem destruir sua última gota de sensibilidade, 

e assim, prazerosamente, acusar o que é genuíno de misticismo banal

e o que de fato é ordinário, de realidade.

 

Ah, se soubessem, se ao menos soubessem o mínimo

sobre o que é sentir, discernir as frequências,

sairiam da cova que eles mesmos, debochadamente cavam para si

enquanto deliram na sua própria ilusão existencial suja,

resultante de quem perece sob o fundo de uma caverna,

que, mesmo se houvesse uma tocha acessa ao seu lado,

lhe és negada a inteligência do seu uso,

já que o fogo traz e mantém a vida, 

assim como o silêncio é o alimento da alma e da essência do ser.

 

Então me diga se há coerência em permitir

o seu uso a tolos que negam a luz vital da sabedoria, 

da liberdade interna, da verdade cósmica?

 

Não são estes que vivem em paradoxos?

Deixe-os lá enganados e sedentos

das suas próprias mentiras confortáveis para si mesmos.

Mas, se tu não quiseres enfraquecer e ser um deles, 

me faz um favor?

 

Vá lá fora,

olhe para o céu a noite,

para as estrelas, para o cosmos.

De onde você veio?

Para onde você vai?